Para quem gosta da língua portuguesa … Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal. Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe: – Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo … mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. E o ladrão, confuso, diz: – Doutor, afinal levo ou deixo os patos? N. B. Fez-me lembrar do Portugues do meu primo Carmo de Noronha. Por coincidencia, a Zaira Miranda e’ sobrinha dele! JLP.
February 24, 2011 at 7:16 pm |
Gostei muito. O Carmo de Noronha de que escreve é o autor de ‘Contracorrente’? Presumo que sim – para digerir convenientemente este augusto tomo tive que recorrer amiúde ao auxílio do meu dicionário…